sexta-feira, 12 de junho de 2015

Notícias tchecas

     Faleceu, no dia 6 de junho aos 88 anos, Ludvik Vaculik, um dos principais escritores tchecos. Autor de vários livros premiados, Vaculik começou a carreira como jornalista do órgão do Partido Comunista, mas, com o tempo, percebeu os desvios da doutrina original e começou a criticar a situação no pais. Foi co-autor da famosa carta pública de duas mil palavras que inspirou o movimento da democratização do sistema comunista, liderado em 1968 por Alexander Dubcek. Após a invasão da então Tchecoslováquia pelas tropas soviéticas, os livros de Vaculik foram proibidos e ele perdeu o emprego. Com a morte desse premiado escritor, o povo tcheco perde um intelectual que ajudou a mudar o destino do país.
     No dia 5 de junho, foi inaugurada na cidade Tabor, a exposição JAN HUS que lembra o papel desse padre que antecipou em cem anos os pensamentos protestantes de Lutero e o condenou à morte por suas pregações que contrariavam as idéias da igreja católicas. Julgado como herege, o padre Jan Hus foi queimado vivo, há 600 anos. Mas a importância da personagem do padre não se limita aos aspectos litúrgicos.
     Com sua postura corajosa em defesa da justiça e da igualdade, ele se tornou um símbolo da retidão e da convicção de que, para a defesa de idéias morais é, às vezes, necessário até sacrificar a própria vida. Como tal é sempre lembrado pelo povo tcheco nos momentos difíceis da história nacional. O Castelo de Praga aderiu às comemorações em sua homenagem e colocou ao lado da bandeira presidencial, no topo do castelo, a bandeira histórica do movimento husita que surgiu após a morte dele. 
    Os bons resultados dos tenistas tchecos estão voltando nas competições do Grande Slam. No final do torneiro de Roland Garros deste ano, em Paris, a tenista tcheca Safarová só perdeu, por 2 a 1, o jogo final contra a americana Serena Williams. A temporada dos grandes torneiros só está começando, e a tenista tcheca tem condições de ganhar muitos jogos daqui para frente.

                


sexta-feira, 5 de junho de 2015

Notícias tchecas

  Começam, em toda a República Tcheca, os preparativos para uma homenagem ao padre Jan Hus. É que no próximo 6 de julho,  serão  lembrados os 600 anos de sua morte. Jan Hus nasceu por volta do ano de 1370 na cidade de Husinec, no sul do antigo reino tcheco. O grande destaque de sua vida foi como um dos primeiros reformadores da Igreja Católica, muito antes de Martinho Lutero. Hus condenava a venda de perdões de pecados, de cargos eclesiásticos e defendia a Bíblia como o único sustentáculo da fé, em oposição aos editos e encíclicas dos papas. Os três fundamentos nos quais se baseava para suas pregações eram a graça, a fé e a Bíblia. Seus sermões na capela de Belém, em Praga, eram procurados e assistidos por pobres e ricos e nobres.

    E assim, os ensinamentos do padre se espalharam por todo o território tcheco, coisa que incomodou a direção da Igreja Católica. Acusado de herege, ele foi condenado a morrer queimado na fogueira, e no dia 6 de julho de 1415, na cidade de Constança, foi imolado vivo. Além de principal mentor da reforma protestante, concluída cem anos depois por Lutero, O Padre Hus foi professor universitário, tradutor da Bíblia para tcheco e principal intelectual tcheco da época. Para o povo tcheco ele é o símbolo da cidadania tcheca. Neste ano em que seu sacrifício completa 6 séculos, Jan Hus será lembrado em todo país com palestras, conferências, simpósios, concertos e apresentações teatrais.
  O público brasiliense ainda nem se esqueceu da brilhante apresentação da violista tcheca Jitka Hosprová no mês passado, na Casa Thomas Jefferson e já terá a oportunidade de assistir à outra artista tcheca, a mezzo-soprano Edita Randová, que dará um recital, também  na Casa Thomas Jefferson, no dia 12 de junho. Considerada uma das principais cantoras operísticas e concertistas do momento, Edita conquistou muitos prêmios internacionais, gravou vários discos e ganhou algumas obras dedicadas a ela. Neste recital em Brasília, ela cantará obras dos compositores tchecos Dvorak, Smetana e Mahler que é considerado austríaco, mas nasceu em território tcheco.  O acompanhamento foi confiado à grande pianista brasiliense Alda de Mattos. Imperdível! Repetindo a data: – sexta-feira, 12 de junho, às 20 horas, na Casa Thomas Jefferson da Asa Sul. Uma ótima oportunidade para comemorar o dia dos namorados com música de excelente qualidade! Certamente será mais uma grande noite musical.




sexta-feira, 29 de maio de 2015

Notícias tchecas

    Foi um grande sucesso a apresentação do artista tcheco Pavel Vangeli, realizada na última 4ª feira, dia 27, no auditório da Casa Thomas Jefferson. Premiado internacionalmente na arte de manipular bonecos, nas mãos do virtuoso artista, as marionetes tocaram piano, violino, dançaram, cantaram, e até reviraram os olhos, encantando as crianças e os adultos que superlotaram a sala. Mais uma vez ficou provado que mesmo um país pequeno pode produzir grandes artistas.

     A música é a tônica da vida cultural na República Tcheca. O país sempre produziu excelentes músicos que conquistaram palcos mundiais. Foi a musicalidade e a técnica instrumental encontradas até mesmo nos músicos amadores que tanto impressionaram o compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart.
  Entre os virtuosos músicos tchecos como compositores, regentes e intérpretes que se destacaram internacionalmente, vamos destacar a cantora Klementina Kalasová que integra a galeria de nomes como Tereza Stolzová, Karel Burian e Ema Destinová. Klementina Kalasová nasceu em 1850 numa pequena cidade tcheca. 
    Ainda criança, mostrou talento musical, chamando a atenção do pai, um médico local, que a mandou estudar canto em Praga e em Milão, na Itália. Seu batizado artístico ocorreu na Rússia, na então cidade de Petrogrado. Pouco depois ela foi contratada pelo Covent Garden, em Londres e em seguida, pelo Scala de Milão, o teatro de ópera mais importante na Europa. Lá se tornou a cantora preferida de Giuseppe Verdi. Entre os anos 1880 e 1882, Klementina realizou turnês  nos Estados Unidos e no Brasil.
   E em 1883 e 1884 cumpriu curta temporada no Teatro Nacional de Praga e se apresentou nos principais teatros da Europa. Em 1888 mudou-se para o Brasil onde era admirada e quase endeusada. Aqui, adotou a Bahia como sua terra. Além de ganhar muito dinheiro, Klementina recebeu vários pedidos de casamento, mas continuou casada com a música e com o público. Em 1889, a febre amarela acabou com a brilhante carreira e com a vida da fantástica cantora. Para homenageá-la, no começo de junho será colocada uma placa no túmulo em que está enterrada, em Salvador, e será lançado um livro biográfico, escrito por Bohumila de Araujo, a maior especialista tcheca em língua portuguesa.