quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Notícias tchecas


     Não se faz mais natal como os de antigamente. Cartões postais mostrando lagos congelados e florestas cobertas com neve que cai sem parar é coisa do passado. Este ano, o natal na República Tcheca teve temperatura acima de 15 graus positivos, batendo recordes de décadas de medição. O trenó do papai Noel, só escorregou na lama.

     Em 2012 foi lançado no Brasil o livro Inverno de Praga, escrito por Madeleine Albright, conhecida mundialmente como representante dos Estados Unidos nas Nações Unidas e, posteriormente, como a toda poderosa secretária de estado no governo Clinton. Menos conhecido é o fato de que esta brilhante mulher é tcheca de origem e que, ainda criança, foi obrigada por circunstâncias políticas, a emigrar para os Estados Unidos. Emigrações sempre existiram e, em tempos de guerras, tornam-se mais numerosas. Muitos emigrantes aceitos pelo novo país, esquecem a pátria natal, as tradições familiares e, às vezes, até a língua materna. Não é o caso de Madeleine. Ela nunca renunciou às origens e, em 1989 quando a então Tchecoslováquia, num movimento chamado Revolução de Veludo, se livrou da opressão comunista e abriu as fronteiras ao mundo, ela começou a pesquisar profundamente a história da família. Entre outras informações surpreendentes, Madeleine descobriu que os antepassados eram judeus e que parte significativa deles foi exterminada pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.  
     Madeleine se concentrou no período de 1937-1948, narrando fatos históricos mesclados com lembranças pessoais. Seu pai, Josef Korbel, foi um importante diplomata tcheco no governo de antes e depois da guerra mundial. Como tal, teve acesso às mais altas autoridades tchecas e internacionais e suas anotações, encontradas pela filha, enriqueceram a narração desse período tão conturbado do povo tcheco e, por tabela, da família da futura secretaria de estado americano. A autora enaltece o heroísmo das pessoas que optaram pela resistência ariscando a própria vida, enquanto outras preferiram colaborar com ocupantes, garantindo assim vantagens pessoais. Hoje, conclui a autora: “nós não temos o poder de resgatar vidas perdidas de milhões de inocentes que não sobreviveram, mas nós temos o dever de aprender tudo o que podemos sobre o que aconteceu e impedir que o pior dessa história volte a ocorrer”.   

    

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Notícias tchecas

    “Uma barata de 100 anos” é o título que o Correio Braziliense escolheu para a reportagem que lembra os 100 anos da publicação do livro Metamorfose, do escritor tcheco Franz Kafka. O livro conta a história de um caixeiro-viajante que se transformou em barata. O bicho em que a personagem se transfigurou é uma imagem do próprio Kafka, que sofreu humilhações por ter problemas intensos com a família e porque se tornou alguém cuja personalidade até ele condenava. Franz Kafka nasceu em 1883, em Praga. 

   Filho de um comerciante judeu, cresceu sob a influência de três culturas: a judaica, a tcheca e a alemã. Apesar de tcheco de nascimento, os livros dele eram escritos em alemão, a língua oficial no território tcheco que, na época, pertencia à monarquia austro-húngara. Outros livros famosos de Kafka são: O Processo / O Castelo / A Sentença / O Artista da fome.
     Junto com o espumante, o vinho é uma das bebidas bastante consumidas para comemorar o fim do ano.  Além dos famosos, como os franceses, italianos, espanhóis e portugueses, os vinhos tchecos vem se destacando cada vez mais. Esta semana foi divulgado o vencedor do campeonato nacional de vinhos tchecos, realizado na cidade de Valtice. A produção tradicional das vinícolas tchecas se concentra nos vinhos brancos, que até agora foram os campeões. Mas este ano, o vencedor foi o vinho tinto, uva Merlot 2012, da firma Chateau Valtice, que se caracteriza pela cor vermelha  granada, aroma de baunilha, frutas escuras, madeira e leves sinais de café.
 Participaram da competição 1423 amostras de vinhos originadas de 215 vinícolas. Considerando que os terrenos próprios para o cultivo da uva na República Tcheca são bastante limitados, a opção é para vinícolas pequenas que preferem qualidade em vez de quantidade. O resultado pode ser comprovado com os  muitos prêmios que os vinhos tchecos estão conquistando em competições internacionais. Para degustar, é só visitar a República Tcheca e abraçar os prazeres de Baco.Não podendo viajar, vamos comemorar este fim de ano brindando com vinho nacional.


  A Sociedade Cultural Brasil – República Tcheca deseja a todos os patrícios e simpatizantes do povo tcheco um próspero 2016       

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Notícias Tchecas

  Cristãos do mundo inteiro comemoram, neste mês, o nascimento de Jesus Cristo. Na maioria das religiões, o ritual de comemoração é bastante parecido. A parte profana, porém, varia bastante conforme as tradições de cada povo.
Na República Tcheca, o Natal começa a ser comemorado na noite do dia 24 de dezembro com uma ceia no horário habitual do jantar. O cardápio típico é peixe, geralmente carpa, servido numa sopa como entrada e à milanesa com maionese como prato principal. A escolha desse cardápio se justifica pelo fato de que peixe foi o primeiro símbolo dos cristãos primitivos.
  Como sobremesa, uma variedade de biscoitos especialmente preparados para a ocasião. Tudo começa ser organizado com bastante antecedência: os biscoitos, de vários tipos e formatos, são feitos pela dona da casa várias semanas antes.
 O peixe é comprado vivo nas feiras mantadas em praças públicas e conservado até o dia 24 de dezembro, nas banheiras transformadas em pequenos tanques de água, para alegria das crianças, que os cutucam, alimentam e brincam com eles.

  Nas casas, a árvore de natal, um pinheiro natural também adquirido com antecedência nas feiras, só é ornamentada na véspera, quando também são colocados os presentes. O clima frio nesta época, com temperaturas que geralmente atingem graus negativos, e as frequentes camadas de neve que cobrem as ruas e os campos, criam um ambiente propício para comemorações íntimas, reunindo somente membros da família.
Após a ceia, é chegada à vez de abrir os presentes, tudo antes das doze badaladas porque, à meia noite os católicos assistem à missa do galo na igreja gelada da sua cidade.
   No dia 25 de dezembro, pela manhã, todas as igrejas oferecem missas e cultos comemorativos ao nascimento de Jesus Cristo. O almoço do dia de natal Já não tem as limitações da ceia servida na véspera. O cardápio é livre. As donas de casa normalmente preparam ganso, pato ou pernil acompanhado de “Knedlík” um tipo de nhoque tcheco.  E como sobremesa, além dos biscoitos natalinos, uma torta de chocolate ou de nozes e muito chantilly e de praxe.
    O feriado continua no dia 26 de dezembro? Talvez para se recuperar da comilança dos dias anteriores.

   A Sociedade Cultural Brasil – República Tcheca, que produz essas notícias, deseja a todos os ouvintes de Brasília Super Rádio FM um Feliz Natal.