A chamada na capa
da revista Concerto deste mês para um artigo assinado pelo conceituado maestro
brasileiro Júlio Medaglia é: um tcheco no Brasil. O homenageado pelo texto é
Frank Smit, cuja biografia foi lançada recentemente com o título Frank Smit, o violinista. Smit nasceu em
1892 na República Tcheca, estudou violino em Praga e em Viena onde alcançou
seus primeiros sucessos em concertos e recitais. Passou várias temporadas na
Rússia. Lá tocou, lecionou, se tornou diretor do conservatório em Kharkovm, e
se casou com a filha de um nobre russo. De
dote ganhou um caríssimo violino italiano, construído por Guarneri Del Gesù. Sua
parada seguinte foi o Oriente quando passou pela Indonésia e pelo Japão. Voltou
à Europa fixando-se na Alemanha.

Frank Smit foi
uma pessoa importante no movimento cultural da capital São Paulo. Foi grande
divulgador da música brasileira. Colaborou com Villa-Lobos, Souza Lima e
Camargo Guarnieri, entre outros. Mas os anais preferem lembrar mais de
políticos do que de artistas honestos. O maestro Medaglia, autor do artigo,
lamenta que não haja em São Paulo nem mesmo uma rua com o nome desse importante
músico. Destino parecido, isto é, o esquecimento, também lhe foi reservado num
dicionário de compositores e artistas tchecos, de mais de duas mil
páginas. Esse artista que levou ao mundo
o nome da cultura tcheca não mereceu sequer uma linha de citação.